terça-feira, 5 de julho de 2011

A 1.ª Caminhada do Forró vista pelo um poeta colombiano Carlos Enrique Sierra

A primeira caminhada do forró que aconteceu em Arcoverde no último dia 25 de junho, encantou não só a moradores da cidade, mais também turistas. Carlos Enrique Sierra poeta colombiano que se encontrava na minha casa, foi conhecer de perto esta festa de cultura e escreveu sobre o assunto. O texto foi traduzido pra vocês.


Poeta Colombiano Carlos Enrique Sierra e sua amada Ana
Foto: Amannda Oliveira

A manhã começou normalmente, minha esposa Ana e eu estávamos nos preparando para voltar pra casa depois de uma noite de São João, no Castelo de Saarah e Amanda, nossas anfitriãs em Arcoverde, que na noite anterior entreteve com um grupo maravilhoso de Forró e convidados na sua casa.
Enquanto trocávamos presentes no momento da nossa partida, Amanda nos disse que estava chegando a hora de um encontro que aconteceria na rua. Então decidimos ir e sem saber, fizemos parte desta festa junto com os fundadores no dia histórico que foi a primeira caminhada do forró nesta cidade de Arcoverde em Pernambuco no Brasil que conta com os seus 70 mil habitantes.

Falamos de história porque sabemos que as Festas de Juninas, tradicionais em todo o nordeste, brotam nos pólos das mais puras tradições da identidade brasileira em Arcoverde. Pude ver de perto caminhando pela multidão o que deve ser a extensão de um carnaval, e com esta nova expressão que ocorreu pela primeira vez nas ruas da cidade, e que poderá ter o melhor dos eventos mais concorridos pela comunidade.

Desta vez a assistência não foi pouca, a idéia da caminhada veio de um ativo grupo de amantes da cultura da cidade, que reuniu muita gente no dia 25 de junho no mercado, um lugar da cidade onde você pode ver cachaça e a mais estranha das bebidas em um dos quais havia um caranguejo dentro da garrafa de aguardente esperando ser bebido, ao lado de doces, bebidas medicinais, temperos, artesanato e bonecos de Lampião e Maria Bonita, e é claro, uma variedade de alimentos da região, juntamente com todos os tipos de animais de estimação, entre os quais um pássaro cantando o hino brasileiro da sua gaiola.

Mercados são, eu acho que em todo o mundo, lugar natural para os intelectuais, poetas e boêmios que gostam destes ambientes bizarros, onde coexistem o folclórico e popular. Há no mercado, como observado acima, um grande grupo de artistas que se deliciava com a música tradicional enquanto os participantes vestidos com os seus chapéus tradicionais mesclados a jeans e camisas faziam alusão a festa que reúne suas famílias. Um grupo de forró alternados com poetas expoentes do gênero poético tradicional de cordel, que é uma expressão que além de manter com força incomum entre os habitantes do sertão é, aliás, a ser transmitida através de pequenos folhetos ilustrados, uma sua viva expressão que lembra as origens do jornalismo global para o século XVI. Assim como a forma mesmo verso e publicado em folhetos que passou entre o povo as histórias mais importantes e mais marcantes, as condições que ainda se encontra a atual, que não deixam qualquer um desses pré-requisitos.

Um ramalhete de galinhas caipiras amarradas pelos pés ao estilo do mesmo mercado chamou minha atenção, pois ainda que em sua condição de alimento vivo, ainda sem depenar, conservavam ali no chão uma estética singular. Não foi em vão meu interesse nas galinhas, pois momentos mais tarde quando já havia começado a caminhada um homem as pendurou em um pau e se uniu à caminhada iniciada por um grupo de jovens montados em pernas de pau representando os personagens tradicionais das festas.

Pela rua três homens tocando acordeom, seguido por cerca de 500 pessoas com a música e o ritmo que era um convite a celebração que toma conta do mês de junho. Ao caminhar nas ruas, cresce o número de participantes, visitantes e que seguiam o cortejo.
Pois bem, em algum momento me dei conta de que as galinhas levadas desta forma constituíam um pequeno problema legal, assunto que logo também perceberam as autoridades que fizeram retirar aquela exibição, muito tradicional, mas pouco concordei com as atuais normas de proteção dos animais. Fora este incidente, as coisas foram de vento em poupa.

Esta caminhada foi, entre todos os atos aos que assisti, no que mais senti a familiaridade e a alegria da gente, o que me permitiu conhecer de per as ruas e as pessoas da cidade, de suas namoradeiras debruçadas nas janelas de suas casas olhando a vida passar, de meninos e adultos em ônibus e carros, que saudavam ao coletivo que avançava, desta alegria dos brasileiros que não medem esforços em vestir suas ruas com os símbolos de sua tradição, chapéus, cortinas coloridas, fogueiras, imagens religiosas, e cachaça, muita cachaça para alegrar o coração.

Fonte: www.blogfalandofrancamente.com

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