domingo, 13 de dezembro de 2015

Surto do vírus zika traz alerta ao país para disseminação de outras doenças

Além dos 1.761 casos suspeitos de microcefalia relacionados ao vírus, o Ministério da Saúde investiga o aumento de registros de pessoas com a Síndrome de Guillain-Barré. Seis estados identificaram crescimento de episódios da doença



Em janeiro de 2013, durante uma sexta-feira normal de trabalho, Percival Pereira sentiu uma fraqueza nas pernas que o fez procurar um ortopedista com suspeita de um problema na coluna. Medicado, voltou para casa. No dia seguinte, foi internado no hospital sem conseguir movimentar pernas e braços. No domingo, diante da dificuldade de respirar, veio o diagnóstico: Síndrome de Guillain-Barré, uma reação infecciosa que provoca fraqueza muscular e paralisia. Por oito meses, ele ficou imóvel em uma cama, sem sentir nada abaixo do pescoço. E as sequelas da doença ainda fazem parte do dia a dia dele.

“O pior é ter consciência de tudo. Achei que ia morrer. Sentia o meu corpo desligando. É desesperador. Tive que ter muita fé e paz para equilibrar tudo isso dentro de mim”, conta. Casado e pai de dois filhos, o homem de 44 anos tem muitas dificuldades de locomoção e alterna os movimentos entre a bengala e a cadeira de rodas. A esperança, neste momento, é poder voltar a trabalhar na especialidade que tem: vendas. “Mas não há prazos ou estimativas. É uma recuperação do corpo e não tem remédio que o ajude a se recuperar.”

A Síndrome de Guillain-Barré é mais uma doença rara que pode ser causada pela infecção do vírus zika. Além dos 1.761 casos suspeitos de microcefalia em investigação, o aumento de pacientes com a síndrome neste ano preocupa o Ministério da Saúde. De acordo com a pasta, a relação foi confirmada pela Universidade Federal de Pernambuco a partir da identificação do vírus em amostra de seis pacientes com sintomas neurológicos. Do total, quatro tinham a síndrome. “Assim como todas as possíveis consequências do vírus zika, a ocorrência da Guillain-Barré relacionada ao vírus continua sendo investigada”, afirma, por nota, o ministério.

Por não ser de notificação compulsória, a pasta não dispõe de dados nacionais sobre a doença, nem comparativos. A única informação disponível é o número de procedimentos ambulatoriais e hospitalares no Sistema Único de Saúde (incluindo internações) relacionados à síndrome em 2014: 65.884. Entretanto, pelo menos seis estados já identificaram aumento. Em Pernambuco, foram registrados 127 casos neste ano — número seis vezes maior que o do ano passado, quando houve 9 episódios. No Piauí, a quantidade de enfermos subiu de 23 para 42. Sergipe teve 28 casos e nenhum em anos anteriores. No Rio Grande do Norte, subiu de 23 para 33. No Maranhão, são 32 casos; no ano passado, foram 10. Na Bahia, 64 registros só em 2015.
Fonte: Por: Correio Braziliense e diariodepernambuco.

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