domingo, 8 de dezembro de 2013

João Silva é velado na Câmara de Arcoverde

João Silva, compositor parceiro de Luiz Gonzaga, será sepultado neste domingo
Já está na Câmara de Vereadores de Arcoverde o corpo do compositor João Leocádio Silva, o João Silva, 78 anos. O caixão está coberto pela bandeira de Arcoverde.  Amigos, músicos e familiares prestam homenagens ao parceiro musical de Luiz Gonzaga no velório. Na calçada da Casa James Pacheco, sede do Poder Legislativo, muitos forrozeiros de Arcoverde cantam e tocam músicas do artista, numa último homenagem.
O corpo será levando pelo carro do Corpo de Bombeiros e sepultado neste domingo (8), às 15:00h no Cemitério do São Miguel, em Arcoverde, no Sertão de Pernambuco.
A prefeita Madalena Brito decretou luto oficial de três dias no municípo.
João Silva foi encontrado morto na última sexta-feira (6), no quarto do apartamento onde morava em Boa Viagem. Ele deixou cinco filhos e uma vasta herança artística com mais de 2 mil composições, como Adeus a Januário (com Pedro Maranguape) e A Mulher do Sanfoneiro.
De acordo com a declaração de óbito emitida pela equipe do Instituto de Medicina Legal (IML) na tarde de sábado, João Silva morreu em virtude de uma “hemorragia interna do abdome devido a um aneurisma de aorta abdominal”. No momento da morte, ele estava sozinho no apartamento. A atual companheira, Benilde Nogueira, tinha viajado para acompanhar a apresentação da filha, que também é cantora, em Aracaju, Sergipe. “Na quinta-feira à noite, liguei e ele não atendeu. Fiquei com um pressentimento ruim e liguei no dia seguinte. Ele costumava acordar às 8h30 para tomar café da manhã em um supermercado próximo, mas não foi visto por lá. Pedi que os amigos fossem até o apartamento”, contou Nogueira.
O sanfoneiro, amigo e produtor musical Severino Bezerra Silva, o Silveirinha, foi o primeiro a chegar e encontrar o corpo, por volta das 17h. “Batemos na porta, mas ninguém atendeu. Como ele morava no primeiro andar e tinha deixado a janela aberta, colocamos uma escada e entramos”, disse Silveirinha.
Segundo amigos e parentes, o compositor estava aparentemente bem de saúde. O final do ano de 2013 era de grande expectativa porque ele se preparava para gravar um CD e iria, na próxima terça-feira, se apresentar em uma festa em Arcoverde, sua cidade natal, e, em seguida, em São Paulo. Também, segundo parentes e amigos, tinha parado de beber e tentava diminuir o cigarro.
Árduo defensor do baião, João Silva focava em voltar à cena artística. Segundo o pesquisador Paulo Wanderley, ele estava montando um novo repertório. “A última vez que nos falamos foi na sexta-feira passada. Ele me falou que estava compondo. Ele fazia a melodia com a boca e só depois chamava um sanfoneiro para finalizar a música. Foi uma perda grande, porque João era um cara que tem história marcante e que se confunde com a nossa”, observou.
Biografia
Nascido em Arcoverde, a 259 quilômetros do Recife, João Silva foi agraciado com o título de Cidadão do Recife e inscrito na história da cultura pernambucana como um dos grandes compositores de forró. Autor de mais de duas mil composições, tem sua biografia publicada pelo escritor José Maria de Almeida Marques.
O livro Mestre João Silva, pra não morrer de tristeza registra sua importante participação na criação de Danado de Bom, o primeiro disco de ouro - 1,6 milhão de cópias vendidas - da carreira de Luiz Gonzaga. Em 2009, recebeu homenagens, inclusive do canal Sons de Pernambuco, do portal Pernambuco.com, que inseriu três músicas do álbum João Silva Canta Mais Gonzaga no streaming do portal.

Ele deixa cinco filhos e uma vasta herança artística, com mais de 2 mil composições.
João Silva se preocupava com a preservação do baião. “O problema do forró de hoje é que, a cada quinze músicas gravadas, catorze são xotes e uma é baião”, declarou em entrevista ao Diario, quando preparava o álbum de inéditas Sertão Puro, atuando também como arranjador e produtor. “Só baião é forró puro.”
Marcaram sua história sucessos como Adeus a Januário (com Pedro Maranguape), homenagem ao pai de Luiz Gonzaga; dentre outras como A Mulher do SanfoneiroA PuxadaPagode Russo eSequei os Olhos, sobre a seca que assolou o Nordeste entre 1979 e 1983 (com Luiz Gonzaga);Amei à Toa (com Joquinha Gonzaga); Aí Tem e Amigo Velho Tocador (com Zé Mocó), afora parcerias com João do Vale, Onildo Almeida, Rosil Cavalcante, Severino Ramos, Bastinho Calixto, Pedro Maranguape, Pedro Cruz e Dominguinhos, dentre outros.
Fonte: www.darciorabelo.com.br

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