quarta-feira, 17 de junho de 2026

Denúncia aponta superlotação e falhas no transporte no espaço de acessibilidade no São João de Arcoverde



Uma denúncia feita por familiares de uma idosa de 82 anos colocou em xeque a estrutura do espaço de acessibilidade do São João de Arcoverde 2026. O relato descreve superlotação, pessoas passando mal, risco para idosos, cadeirantes e pessoas com deficiência e falhas no transporte acessível oferecido pela Prefeitura. Em resposta, a Secretaria de Assistência Social afirmou que o local operou “dentro da capacidade prevista para os usuários credenciados”, reconheceu “desafios operacionais” em noites de maior público e disse que os relatos serão considerados para ajustes nas próximas edições.

Na denúncia, a autora afirma que a mãe, inscrita para usar o espaço reservado, encontrou um ambiente de “total desorganização e falta de segurança”. Segundo o texto, havia “pessoas desmaiando, sendo retiradas do local pelos bombeiros, além de crianças, mulheres e idosos passando mal por causa da superlotação e do aperto”.

Documento
Leia a íntegra do relato:

Manifestação enviada sobre o atendimento no espaço de acessibilidade durante o São João de Arcoverde 2026.


Bom dia! Que, infelizmente, hoje não é um bom dia.

Venho aqui manifestar minha indignação com o descaso da Prefeitura de Arcoverde, na gestão do prefeito Zeca Cavalcanti, em relação ao espaço destinado à acessibilidade durante as festividades.

Minha mãe, uma idosa de 82 anos, foi inscrita para utilizar o espaço da acessibilidade. Infelizmente, o que encontramos foi uma situação de total desorganização e falta de segurança. Havia pessoas desmaiando, sendo retiradas do local pelos bombeiros, além de crianças, mulheres e idosos passando mal por causa da superlotação e do aperto.

Em vários momentos, tive medo de que as grades cedessem e caíssem sobre os idosos, cadeirantes e pessoas com deficiência, que poderiam ter sido esmagados. O mais triste foi ver pessoas passando mal sendo retiradas por cima dos próprios idosos e cadeirantes, colocando todos em ainda mais risco.

Faço questão de reconhecer que os profissionais que trabalham no espaço da acessibilidade foram extremamente atenciosos e fizeram o possível para ajudar. O problema não foi a equipe, mas sim a falta de estrutura e organização.

Também solicitei transporte para minha mãe. Na ida, precisei pagar um Uber. Na volta, fomos informados de que ela não constava na lista do transporte. As funcionárias, muito gentis, pediram que aguardássemos no Bar Monteiro, pois um veículo da Secretaria nos levaria para casa.

O motorista, chamado Valete, chegou e informamos que estávamos aguardando por ele. Ele disse que primeiro levaria um grupo para o bairro Maria de Fátima. O veículo saiu completamente lotado. Depois, recebemos a informação de que ele só transportaria as pessoas que haviam marcado, na inscrição, a necessidade do transporte.

Resultado: minha mãe, uma senhora de 82 anos, e o filho e uma mãe que estavam conosco também no espaço de acesso precisaram ir de táxi, enquanto eu acompanhei minha mãe caminhando até em casa. Ela só conseguiu chegar porque fez um enorme esforço. Se ela pudesse andar normalmente, jamais teríamos solicitado o transporte. Ela realmente precisava desse serviço.

Este já é o segundo ano em que o atendimento à acessibilidade piora. Na gestão do prefeito Wellington Maciel, as pessoas com deficiência, os idosos e os cadeirantes eram tratados com respeito e dignidade. Havia alimentação adequada, organização e um atendimento muito mais humano.

Minha mãe sempre teve grande apreço pelo prefeito Zeca Cavalcanti. Nós votamos no senhor, acreditando em sua reconhecida capacidade administrativa. Porém, a decepção foi enorme.

Além de toda a desorganização, colocaram idosos, cadeirantes e pessoas com deficiência em um espaço sem segurança, próximo a um bueiro e em uma área de circulação de pessoas. Fica a impressão de que esse projeto de acessibilidade está sendo abandonado.

Enquanto o senhor e seus convidados desfrutavam da festa com conforto, nós enfrentávamos abandono, insegurança e desrespeito.

Prefeito, reflita. Gostaria que sua família recebesse esse tipo de atendimento?

As pessoas com deficiência, os idosos e seus familiares merecem respeito, dignidade e inclusão de verdade, não apenas discursos.

A resposta da população também pode vir nas urnas.

Grata.

O relato também sustenta que o risco não se limitava ao desconforto.
“Em vários momentos, tive medo de que as grades cedessem e caíssem sobre os idosos, cadeirantes e pessoas com deficiência, que poderiam ter sido esmagados”, diz a denúncia.
Em outro trecho, a autora acrescenta que pessoas que passavam mal estariam sendo retiradas “por cima dos próprios idosos e cadeirantes, colocando todos em ainda mais risco”.
A crítica, porém, faz uma distinção entre a atuação da equipe e a estrutura montada pela gestão.
“Faço questão de reconhecer que os profissionais que trabalham no espaço da acessibilidade foram extremamente atenciosos e fizeram o possível para ajudar. O problema não foi a equipe, mas sim a falta de estrutura e organização”, afirma.
A denúncia também aponta problemas no transporte. 

A denúncia também aponta problemas no deslocamento de volta para casa. De acordo com o relato, o transporte teria sido solicitado previamente, mas a idosa não constava na lista no momento do retorno. A família afirma que precisou improvisar a saída depois de ser informada de que o veículo atenderia apenas quem havia marcado a necessidade de transporte na inscrição.
“Resultado: minha mãe, uma senhora de 82 anos, e o filho e uma mãe que estavam conosco também no espaço de acesso precisaram ir de táxi, enquanto eu acompanhei minha mãe caminhando até em casa”, registra o texto.
A autora afirma ainda que a idosa “só conseguiu chegar porque fez um enorme esforço” e reforça que o serviço teria sido solicitado justamente porque ela não consegue se locomover com normalidade.
Além dos episódios narrados, a denúncia diz que a qualidade do atendimento teria piorado em relação aos anos anteriores.
“Este já é o segundo ano em que o atendimento à acessibilidade piora”, afirma a autora, que compara a experiência atual com a gestão passada e sustenta que, antes, havia “alimentação adequada, organização e um atendimento muito mais humano”.
O texto também questiona a localização da área destinada ao público com deficiência, idosos e cadeirantes. Segundo a denúncia, o espaço teria sido montado “próximo a um bueiro e em uma área de circulação de pessoas”. Ao final, a autora resume a frustração com a experiência: “As pessoas com deficiência, os idosos e seus familiares merecem respeito, dignidade e inclusão de verdade, não apenas discursos”.
Na nota de esclarecimento, a Secretaria de Assistência Social de Arcoverde afirma que recebeu o relato “com atenção” e reiterou “seu respeito a todas as pessoas que utilizam os serviços ofertados pela gestão municipal”.
Fonte: oestopim.com.


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