terça-feira, 7 de março de 2017

Vale do Catimbau: A beleza única da nossa Caatinga



Não sei se todos sabem, mas a Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro, boa parte se encontra no Sertão nordestino. E foi ela quem mais me chamou atenção no Vale do Catimbau, a sensação é de estar em um outro mundo, um lugar único com seu modo de vida singular, seu solo e suas vidas características, aquela aula de geografia na prática .
MAS ONDE FICA?
O Parque Nacional do Catimbau foi criado recentemente em dezembro de 2002, pertence ao estado de Pernambuco e abrange três municípios: Buíque, Ibimirim e Tupanatinga. Hoje está sob responsabilidade do ICMBio e segundo os guias do local, estão presentes mais de 50 pesquisadores atuando no parque. O Vale do Catimbau tem como peculiaridade suas formações geomorfológicas que foram se moldando ao longo dos milhões de anos da formação da Terra que resultaram em serras e montes exóticos e chapadões de tirar o fôlego. Também tem como marca os sítios arqueológicos com pinturas rupestres datadas com até 6 mil anos. Segundo os guias, o parque possui 12 trilhas e umas delas é a travessia do Vale durando dois dias.
COMO EU CHEGO?
Se for de carro, indo de Recife é só pegar a BR-232 até a cidade de Arcoverde e de lá pegar a PE-270 até o município de Buíque, principal acesso ao parque. Em Buíque é preciso seguir até a Vila do Catimbau onde se encontra a Associação de Guias  do Parque para conhecer o Vale.
Caso você queira ir de ônibus, as empresas Cruzeiro e Progresso fazem o trajeto de Recife a Buíque que custa entre R$50 e R$70 reais. Ao chegar no centro da cidade, entre em contato com a Associação de Guias  e eles irão ajudar você a chegar na Vila.
Caso você não tenha carro e não queira encarar o ônibus, existem várias empresas de turismo de aventura no Recife que fazem essa viagem incluindo transporte, hospedagem e as trilhas. Que foi o meu caso 🙂 Fui com a Ação Vertical, foi a minha primeira trip com eles e não tenho do que reclamar. São muito competentes e profissionais nesse ramo, foi uma ótima experiência e espero fazer outras viagens com eles. Super recomendo 😉
Fomos em um ônibus bem confortável com 47 pessoas, saímos do Derby às 6h da manhã e a viagem durou em média 5h com a parada para o café da manhã no Rei da coxinha – Gravatá. A cidade é muito pacata, mas é bem arrumadinha, tem a igreja e a praça principal como grande parte das cidades do interior e seus prédios públicos são todos bem cuidados e padronizados.
Ficamos hospedados na Pousada Santos, bem arrumadinha e com muitos quartos, café da manhã satisfatório, e as instalações eram confortáveis (Wi-fi, frigobar, ar-condicionado). Pra não dizer que não teve nada de ruim, apenas o ar-condicionado que estava fazendo um barulho durante a noite me acordando algumas vezes. Almoçamos no posto em frente a pousada mas a comida não era muito legal 🙁 Às 14h todos estavam prontos rumo a Vila do Catimbau para fazer a trilha da Serra das Torres.
SÁBADO: SERRA DAS TORRES
Chegando na Vila do Catimbau, fomos conduzidos por três guias da associação na trilha da Serra das Torres. A vila é bem simples, com uma pracinha, igrejinha e alguns comércios, bem interiorzão. A associação de guias fica em destaque na praça, e também tem alguns comércios de artesanatos locais. Os guias se apresentaram e falaram um pouco do Parque, eram muito atenciosos, cuidadosos com o grupo e muito bem informados sobre todas as características do local.
Para chegar na trilha começamos da própria Vila em uma estrada de terra, aliás, de areia muita areia. Você da dois passos pra dar um haha :D. Passamos por gados e bodes, e inclusive um deles sendo sacrificado 🙁 A vegetação no geral ta bem seca, mas é típica da região, tem uma parte ou outra que está verdinha, alguns cactos e muitas bromélias.
Depois de 1,5km mais ou menos andando pela estrada, passamos na Pedra do Cachorro, que é necessário usar a imaginação para visualizar a semelhança com o cão :D.
O guia parou em alguns momentos para falar sobre algumas espécies da flora típica da região e algumas lendas relacionadas. Um pouco depois da Pedra chegamos ao início da trilha da Serra das Torres, tem um pequeno bar com banheiro e uma porteira onde passamos e iniciamos a subida. A taxa dessa trilha R$2,00, que no meu caso estava incluso no pacote.
De início alguns animais e uma grande árvore em destaque, o lugar é bem fotográfico no geral. O guia deu algumas orientações, até porque o grupo era muito grande e começamos a subir a serra. Subida muito tranquila, não tem parte muito íngremes nem trechos muito difíceis, é uma subida com áreas planadas, você vai andando em subida e quando vê já ta lá em cima com uma vista linda.
A parte boa dessa trilha é o tão esperado pôr do sol, que infelizmente estava tímido no nosso dia, mas mesmo assim é muito compensadora a vista e os belos mirantes. Você quer parar em todos os pontos pra tirar fotos, porque realmente o cenário é encantador. É diferente, muitas tonalidades de solo e vegetação, lindo ver como a natureza é caprichosa.
E é nessa trilha que tem uma formação rochosa lindíssima com vários tons de laranja.

Como saímos um pouco tarde, na volta o sol já tinha caído e voltamos no escuro, mas foi super tranquilo. Chegamos na pousada por volta das 19h e a ideia era ir a um barzinho à noite, mas só encontramos um com zero animação haha e acabamos em uma pizzaria que era muito boa por sinal.
E aqui um compilado de vídeos dessa trilha:
DOMINGO: HOMENS SEM CABEÇA, CHAPADÃO, IGREJINHA
O segundo e último dia em Buíque foi um pouco corrido, tínhamos duas trilhas, almoço e a volta pra casa. Depois do café da manhã na Pousada Santos partimos para a Vila do Catimbau onde pegamos um pau de arara até a trilha para o chapadão, estrada de terra e muita aventura .
Chegando lá já fomos presenteados com uma bela vista 🙂 O guia novamente fez algumas recomendações e falou um pouco sobre as formações da região. Iniciamos a trilha que foi muito tranquila também, poucos trechos em que era necessário um esforço maior nas subidas. A seca era evidente mas era uma trilha linda, bem singular com palmas, cactos e formações diferentes. No meio do caminho, o sítio arqueológico dos homens sem cabeça, com as pinturas rupestres que deram origem ao nome.
Seguimos subindo ao chapadão, teve vários pontos em que era inevitável a parada para a foto.
No ponto final era possível ver o Vale e toda sua grandeza.
Voltamos por uma outra trilha até o ponto onde deixamos o pau de arara e seguimos para a Igrejinha. O pau de arara nos deixou bem próximo as formações. O cenário era lindo, muito diferente, muitos tons terrosos e claro,.. muitas fotos! 🙂 O nome igrejinha se deu pela semelhança que alguns pontos apresentava, apesar que, era necessário colocar a imaginação em prática para visualizar.
Mais um compilado de vídeos dessa trilha:
Chegamos na Pousada umas 14h e depois de uma hora mais ou menos seguimos para Arcoverde para almoçar. Pelo horario que chegamos (16h mais ou menos), o almoço já tinha sido retirado e esperamos o jantar ser colocado no Restaurante do Hotel Cruzeiro, muito boa a comida e ambiente. Seguimos para Recife, o ônibus era tão mara que fomos assistindo filme no caminho 🙂 21h estávamos no Derby e concluímos mais um fim de semana delicioso 😀
ALGUMAS DICAS
Se você curtir acampar lá no Catimbau existem três áreas de camping, uma delas possuem piscinas e uma decoração bem rústica, Paraíso Selvagem o nome. Mas o parque em geral possui diversas áreas propícias para acampamento.
Na pousada tinha Wi-fi que pegava razoavelmente. Na Vila do Catimbau tem uma antena da Tim, então pegou tranquilo o sinal, só não sei as outras operadoras.
As trilhas são secas, não possuem cachoeiras ou rios e por isso não esqueça jamais da água. Para cada dia levei um Cantil com um litro de água e foi suficiente. A dica é não beber muita água durante a trilha, apenas tome quando tiver sede uma quantidade suficiente para hidratar. Leve lanches para as trilhas, não são longas mas podem demorar. Sempre levo frutas, chocolate, castanhas e sanduíches. Utilizo uma bolsinha térmica para resistir ao calor.
Na volta da Serra das Torres estava escuro já, os guias tinhas lanternas mas é bom ter uma na bolsa também. Sempre levo para qualquer trilha. E por consequência os mosquitos aparecem, então também é bom estar com repelente.
Ah! E não esqueça do protetor solar e óculos escuros, o Sol é forte e o solo possui quartzo que reflete o sol em você deixando a sensação térmica e a claridade mais elevada.
Esteja com um calçado apropriado para trilhas ou que tenha boa aderência, existem trechos rochosos que podem deslizar ou seja mais difícil de subir, o calçado é muito importante nessas horas.
O pau de arara balança bastante e não é muito confortável, você vai sentado em uma madeira que fica pinicando tudo haha 😀 Então leve uma toalhinha para sentar em cima e se você tiver algum problema respiratório leve uma flanela para proteger o nariz da poeira.
Em relação a valores, por ser interior as coisas são mais baratas. A água de 1,5L na Pousada foi R$3, o almoço no posto foi R$11 sem balança. A pizza na noite do sábado foi R$25 a média, que foi até muito para eu e uma amiga. Já o almoço do domingo era por Kilo, e não lembro bem mas era uns R$40 o kilo.
O pacote com transporte, hospedagem, taxas e guia das trilhas  foi R$215 com a Ação Vertical. Eu considerei um bom custo-benefício, se você comparar só com o valor da passagem de ônibus até Buíque, que daria mais de 100 reais ida e volta já vale a pena. Fora que o ônibus levou a gente em todos os trajetos e o serviço foi de primeira. E também já vi outras empresas cobrarem um preço bem maior por esse mesmo pacote.
Já fazia um bom tempo que o Vale do Catimbau estava na minha lista, pretendo voltar e ter a experiência de acampar em meio a Caatinga além de conhecer outras trilhas além das três que fiz nesse fim de semana. Curti muito respirar esses novos ares, sentir a natureza nos altos mirantes e a admirar aquelas plantinhas que mesmo no meio da seca são lindas. Pra quem curte tudo isso recomendo muito, no geral é perto e barato e é nosso.
Fonte:seaventurenavida.com.

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