quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Cidade de Betânia chora na despedida dos 10 mortos


As dez vítimas de acidente com van em Venturosa foram enterradas nesta quarta

 / Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Betânia chorou junta e enterrou, durante nesta quarta-feira (26), os 10 mortos no acidente ocorrido na noite da última segunda-feira (24) envolvendo uma van apinhada de trabalhadores rurais. O município de cerca de 11 mil habitantes, no Sertão do Moxotó, a 347 quilômetros do Recife, realizou três funerais, dois separados no cemitério da cidade e o sepultamento conjunto de oito vítimas no distrito de São Caetano. Em torno de 4 mil pessoas participaram da cerimônia de despedida, que teve início por volta das 15h30 e se estendeu até o começo da noite. Era impossível encontrar um habitante que não conhecesse ao menos um dos mortos.
Desde cedo, um carro de som anunciava para a população hora e local do adeus. Os parentes, amigos, vizinhos e conhecidos das vítimas chegavam em vans idênticas à envolvida no desastre em Venturosa, Agreste do Estado. Os veículos estavam igualmente superlotados, alguns com quase 30 pessoas (a capacidade é para 16). Os caixões chegaram em longa carreata. Uma missa foi celebrada no Social Clube de São Caetano pelo padre Adriano Pereira. Em seguida, a multidão rumou para o cemitério, num cortejo de 200 metros. Os corpos eram carregados sob aplausos e lágrimas. Na hora dos enterros, choro, dor e um sentimento unânime de incredulidade diante da maior tragédia da história de Betânia.
Centenas de pessoas ficaram na praça em frente ao cemitério de São Caetano. As arquibancadas do campo vizinho, acostumadas aos jogos de futebol, desta vez exprimiam tristeza. Era de lá que outro punhado de moradores acompanhava a cerimônia.
dona de casa Severina Laura do Nascimento, 65 anos, perdeu o filho, o cortador de cana João Germano do Nascimento, 32. Viúva há sete anos e mãe de oito filhos, enterrava seu primeiro rebento entre a resignação e a revolta. “Nunca esperei uma coisa dessas de ter que enterrar meu filho. Estou pensando como vou viver. Mas fazer o quê, né? Acho que chegou o dia dele, compadre. São muitas mães passando pela mesma dor”, desabafou.
Numa casa humilde, dois caixões e uma tristeza impossível de ser medida. Estavam neles Francisca Maria da Silva, 43, única mulher morta, e o primo dela, o trabalhador rural Manoel João dos Santos, 44. Cada um tinha três filhos. A dona de casa Maria Luzia dos Santos, 42, viúva de Manoel, contou que o marido não acordou bem na segunda-feira. Parecia pressentir algo pior. “Ele amanheceu triste, estranho. Eu ia perguntar a ele, mas não deu tempo. Fui pegar água e, quando voltei, ele tinha ido embora. Nem me despedi”, lamentou.
Os velórios ocorreram durante a manhã. Erinaldo José de Luna, que aparecia na lista dos mortos, está entre os feridos. O nome da 10ª vítima é o de Manoel João dos Santos. Equipe do Centro de Referência Especializada em Assistência Social (Creas), do governo estadual, foi designada para dar suporte aos familiares das vítimas.

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