terça-feira, 23 de julho de 2013

Morre Dominguinhos, o "rei da sanfona"

Durante carreira de mais de cinco décadas, cantor e compositor gravou sucessos como "De Volta pro Aconchego" e "Eu Só Quero um Xodó"

O cantor e compositor pernambucano Dominguinhos, conhecido como "rei da sanfona", morreu às 18h desta terça-feira, aos 72 anos, em decorrência de complicações infecciosas e cardíacas. Ele estava internado no hospital Sírio Libanês, em São Paulo.
Considerado um dos principais nomes do forró, o músico gravou sucessos como "De Volta pro Aconchego" e "Eu Só Quero um Xodó" durante uma carreira de mais de cinco décadas.
O músico Dominguinhos em cena do filme 'O Milagre de Santa Luzia'. Foto: Divulgação
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Dominguinhos foi internado em 17 de dezembro , no Hospital Santa Joana, no Recife, com quadro de infecção respiratória e arritmia cardíaca. Em 13 de janeiro, foi transferido para o Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde o tratamento passou a ser liderado pelo oncologista que o acompanhava havia seis anos, desde que recebeu o diagnóstico de tumor pulmonar.
Veja abaixo Dominguinhos no programa "Ensaio", da TV Cultura:

Nascido em Garanhuns no dia 12 de fevereiro de 1941, José Domingos de Moraes começou a carreira ainda na infância, tocando sanfona de oito baixos no grupo Os Três Pinguins, que formou com dois irmãos.
Na adolescência, mudou para o Rio de Janeiro e procurou Luiz Gonzaga, o rei do baião, que lhe dera seu endereço anos antes. Dominguinhos, na época apelidado de Neném do Acordeon, tornou-se herdeiro musical de Gonzaga, morto em 1989.
AgNews
Dominguinhos no Prêmio Shell, em 2010
Em entrevista ao iG , publicada em 2011, Dominguinhos falou sobre a relação com o mestre: "Conheci Gonzaga até sem saber quem era. Eu tinha oito anos, não sabia quem era artista nenhum. Eu e meus irmãos tocávamos na porta do hotel em que ele ficou. Eu tocava pandeiro. Botaram a gente pra tocar lá pro homem. Ele nos deu o endereço dele no Rio, nos deu dinheiro. Passados alguns anos, meu pai um dia se cansou de Garanhuns, pegamos um caminhão pau-de-arara, 11 dias de viagem, e fomos bater em Nilópolis (RJ). Aí eu tinha 13 anos. Ficamos em Nilópolis a vida toda, ali casei e tive família. Gonzaga deu uma sanfona para meu pai na mesma hora em que chegamos. Pronto, ficou nosso amigo e me protegendo".
Sucessos
Em 1964 Dominguinhos lançou o primeiro de cerca de 30 álbuns, "Fim de Festa". Onze anos depois gravou "Eu Só Quero um Xodó", que ganhou versões em diversas línguas. Durante a carreira, fez parcerias com músicos como Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan e Elba Ramalho, intérprete de "De Volta pro Aconhego". Outros sucessos incluem "Isso Aqui tá Bom Demais", "Tenho Sede", "Lamento Sertanejo" e "Tantas Palavras". 
Entre os prêmios que recebeu está o Grammy Latino de melhor álbum regional, em 2002, por "Chegando de Mansinho". Em 2010, foi homenageado pelo Prêmio Shell de Música e se apresentou em um show no Rio de Janeiro com convidados como Elba, Gil e Marcelo Mimoso.
Também participou do documentário "O Milagre de Santa Luzia" , de Sergio Roizenblit, no qual conduziu uma viagem pelo Brasil que toca sanfona. Em 2011, quando o filme foi lançado em DVD, Dominguinhos comemorou a "redescoberta" do instrumento.
"Nunca se vendeu tanta sanfona, e é um instrumento caro", disse, ao iG . Ele lamentou o fato de o Brasil não valorizá-la o suficiente, mas se mostrou otimista. "Mas estão descobrindo no Brasil também."

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